DA CIDADE PARA O CAMPO #3

02.06.2019

"Percursos"

Em 2014, desenvolvemos uma candidatura a uma medida de apoio (PRODER – Jovens Agricultores), com um projecto de 3 hectares de produção biológica de pomar, aromáticas e hortícolas.
Depois de um longo processo e espera, a candidatura foi indeferida por ser inviável economicamente. Não era entendido como poderia haver diferentes árvores de fruto, auxiliares, plantas aromáticas e herbáceas, tudo a coabitar no mesmo metro quadrado de solo. Se tivéssemos implementado uma monocultura de cereja provavelmente teria sido aprovado.

Mudámos de estratégia. Repensámos o nosso projecto para a quinta e decidimos apostar no turismo de natureza e paralelamente faríamos a parte agrícola conforme as nossas possibilidades.
Instalámos sistemas de rega e plantámos bastantes árvores (espécies variadas, claro). Entretanto fomos recuperando uma antiga azenha junto à ribeira.

Infelizmente todo o investimento da parte agrícola desapareceu nos incêndios de 2017. O sistema de rega derreteu e as árvores queimaram praticamente todas.

Mais uma vez, repensámos e mudámos de estratégia. A parte agrícola ficou em standby e focámo-nos na total recuperação da azenha e espaço envolvente, sempre com a preocupação ecológica e regeneração dos habitats naturais, preservando a biodiversidade.

Para mim um gosto enorme, como arquitecta paisagista, foi o primeiro projecto de um jardim pessoal (nosso). Foi idealizado, estruturado, terreno preparado, madeiras instaladas e plantação de árvores, arbustos e herbáceas. Uma conjugação de aromáticas com outras plantas, inspirado em cores e aromas do campo.
O objectivo de criar um espaço em total harmonia com a natureza envolvente, permitiu conjugar o lazer e a contemplação com a essência natural de todo um ecossistema existente.

IM

Castelo Novo, 02 de Junho. 2019