Da cidade para o campo #2

23.05.2019

"Chegar, ver e trabalhar"

Depois de 4 anos a viver em Castelo Novo, olhamos para o início deste caminho e perguntamos se valeu a pena.
Investimento na terra, obras na casa para ficar habitável, limpa e com conforto para os invernos rigorosos da Gardunha.
O impacto ambiental sempre foi uma preocupação constante, já que a 2 metros de casa passa a ribeira de Alpeadre, cheia de vida.

Planos feitos e força nos braços.

No antigo "Caminho dos Moleiros" só passavam carros de bois.

Entretanto o caminho público foi alargado por nós, para se conseguir passar com a carrinha das obras. Estivemos 3 anos (sim 3!) a chatear a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia para ajudar na recuperação do Caminho dos Moleiros. Lá forneceram a pedra para o arranjo do piso, ficando a nosso cargo a mão de obra (uma PPP rural vá lá! Mas neste caso o custo fica para os privados e o benefício é público).

Em Setembro de 2013, comecei a trabalhar lado a lado com os rapazes das obras durante os 6 meses da recuperação da casa.
Aprendi muita coisa e começei a dar valor a tantas outras. Tenho pena que hoje em dia seja tão dificil arranjar quem trabalhe bem com o granito, uma arte que se devia perservar.

Recebíamos visitas diárias de pessoas curiosas da aldeia, que passavam tempos a acompanhar as obras do "lado de lá". Aparentemente é normal nas aldeias estas atitudes, mas irritiva-me solenemente esta intromissão nos afazeres dos outros. E depois, dizem por aí que nós é que temos muito tempo livre...

Na cidade conhecemos o vizinho da frente e o máximo de intromissão que se admite, é na reunião do condomínio, quando alguém se queixa das idas a casa de banho de madrugada ou da música alta dos adolescentes do prédio.

A brincar dizia que devíamos colocar uma mesa ao portão e vender minis para ninguém perder nada do que estávamos a fazer.

Sempre fomos muito empreendedores!

HM

Castelo Novo, 23 de Maio. 2019